quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quero ser tua


O que faço quando a tristeza corrói meu interior e não sinto queimando teu amor?
Quando palavras injustas são ditas,
Maldições são proferidas...
E a vontade de vingança parece me tomar?
O que faço quando tudo é injusto?
Quando sou mal julgada, mal interpretada...
Mas sei quais são tuas respostas...
Devo perdoar, dar a outra face e quem me magoou, abraçar...
Caminho da cruz... que um dia rejeitei, que fingi não existir...
Busquei minhas coisas e não as tuas...
Minhas glórias e não as tuas...
Mas aqui estou...
Restaura-me
Transforma-me e ensina-me mais uma vez os teus caminhos e desígnios
Quero retomar onde parei... Onde cansei...
Aqui estou... prostrada, quebrada...
Levanta-me, restaura-me ... quero ser somente tua

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Aprendendo a perdoar


Ninguém aprende a perdoar para sempre. É como se fosse uma escola que sempre se volta para a primeira série. Quando você acha que sabe perdoar e que agora é mais forte, a circunstâncias e atitudes dos que estão a sua volta mostram que perdoar é um eterno aprendizado e que, sim, a cada vez é necessário voltar ao início, chorar, pedir ajudar ao pai e daí levantar e perdoar. Claro que se das primeiras vezes o processo era mais difícil, agora é bem mais fácil, afinal se conhece o caminho, já trilhado inúmeras vezes. Os joelhos machucados e as marcas do perdão mostram que em seu rosto que o caminho rumo ao perdão é diário e não disposto à volta.
Perdoar sempre, eis o caminho. Mesmo se a pessoa que lhe causou mal não se arrepende ou mesmo não percebe o mal que lhe causou. O caminho? O perdão. Sempre o perdão...sinto como se cada vez que fosse perdoar voltasse ao início. Não é um caminho simples e a cada dia se aprende uma nova lição..
Se cheguei lá? Ainda não, mas posso dizer que estou no caminho...

Caminho pedregoso


embro de uma pregação que ouvi uma vez da Helena Tannure, uma mulher que admiro de uma forma particular. Ela contava de experiências de sua vida e como Deus havia tratado características de seu caráter. Ela contou de uma vez que sentiu inveja, outra que queria aparecer, etc. Talvez essas pessoas que falem disso em público enfrentem uma grande opressão. Contudo, creio que fazendo assim elas permitem que outras pessoas percebam que certas coisas na vida do cristão são formas como Deus trata nosso caráter. É uma ilusão acharmos que porque somos salvos nada de ruim vai habitar nosso interior. Pelo contrário, conforme avançamos na vida com Deus mais algumas coisas se tornam evidentes e coisas que eram “normais” passam a ser podridões, mostra de nosso afastamento do querer de Deus. No mundo secular as pessoas sentem raiva, ciúme, inveja, rancor, mágoa... e acham normal e nós tendemos a considerar “normal” quando não andamos com Deus. No entanto, conforme nós andamos com Ele percebemos que essas coisas não devem habitar nosso coração. Que Ele deve ser quebrado, quebrantado para que o Espírito Santo habite. É uma luta constante. Mais difícil do que a luta contra o Diabo ou o mundo, porque é uma luta interna.

Isso ocorreu comigo ontem, mas tendo relação com outros dias. Tem um colégio que é muito bom, sendo o “sonho” da maioria dos professores ministrar aulas lá. Há tempos não tem concurso para ele. Esse ano teve concurso para duas vagas. Eu vi o concurso e resolvi estudar, deixando por um tempo a dissertação de lado. Bem, estudei um bocado e para isso diminui, para minha vergonha, inclusive, o meu tempo com Deus. O stress chegou a tal nível que eu acabei pegando uma infecção respiratória. Fiquei vários dias doente. Não fui bem na prova. Estava com uma dor de cabeça forte e não consegui me concentrar o suficiente. Foi bem complicado ver que todo esforço não valeu para nada. E depois quando percebi a grande besteira que fiz abrindo mão do que é mais precioso, minha comunhão com Deus, doeu mais ainda. Bem, a questão é que ontem o resultado saiu e três colegas que conheço passaram para a segunda fase. O que senti deles? Inveja. Sim, com todas as letras. Me senti péssima por isso, mas era isso o que sentia, inveja deles e porque eles não haviam estudado o quanto eu havia. Outra coisa ruim foi perceber o quanto as coisas desse mundo, a corrida desenfreada me atinge, o quanto corro como os outros e quero ter dinheiro, conquistas, bens...Meu coração não é totalmente dele e eu ponho meus desejos e sonhos em coisas que são pó. Como pode meu coração um dia arder na presença dele e no outro arder de ciume e inveja porque outros se deram num momento melhor que eu? Não sei explicar e percebo que a luta mais pesada, a mais cruel de todas é contra nós mesmos. Eu não gosto de como sou, mas sei que é um processo complicado e que, Glória a Ele por isso, o caminho já começou.

Também me sinto incapacitada quando vou mal nestes concursos, como se não fosse inteligente o suficiente. Tendo a pensar que depende de mim, só de mim. Me esqueço que ele está no controle e que se fosse da sua vontade eu teria entrado, eu teria passado. Ele não quis e Ele não precisa me explicar o porquê. Eu sou Dele, propriedade Dele. Não é o contrário. Ele não me deve satisfação nenhuma. Lembro da seleção do mestrado. Estudei como podia, fazia várias coisas ao mesmo tempo, mesmo assim Ele me colocou em primeiro lugar. Mérito meu? Óbvio que não. Foi Ele que quis, e agiu como desejou. Sei que é um processo, mas me alegra saber que estou no caminho e que se Ele me quebranta, me arrebenta por dentro é porque, de uma forma ou outra, encontra em mim um coração disposto a ouvir sua voz.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Desistir...


Por vezes me pergunto quanto tempo ainda resistirei. Sei que meu inimigo dia após dia se faz a mesma pergunta. Por quanto tempo ela ainda irá resistir? Por quanto tempo permanecerá onde está, vencendo dia após dia sua vontade de dar um basta, de virar às costas a tudo e ir embora? Às vezes acho que é o fim, que não tenho mais força e que não vou mais andar. Mas isso não passa de alguns momentos, pois, assim que Ele vem me tocar percebo que vou mais longe, não porque possa, não porque consiga, mas porque Ele está comigo. Conheço bem minhas limitações e fraquezas, meu senso de justiça e minha vontade de vingança. Às vezes acho que não vou mais e que um dia qualquer irei desistir. Só Deus sabe o quanto já chorei, o quanto algumas coisas já doeram e arderam dentro do meu peito. Às vezes tudo vem junto. Cansaço, desanimo, injustiça, fraqueza física, psicológica...a quem recorro? Nestas horas não vejo ninguém. Já há algum tempo Deus tem me feito andar no deserto, no caminho da solidão. Por vezes me pergunto por quanto tempo andarei sozinha. Algum tempo, anos ou para sempre? Sei lá... ainda tenho muitas perguntas sem respostas. Também não sei se Ele necessariamente vai me ouvir. Não que duvido Dele. Não, não é isso. A questão é que Ele não precisa fazer nada. Tudo já foi feito. Ele já me salvou, já me deu a nova vida e eu sou dele. Isso ninguém pode mudar. Não importa quantas pedradas o Diabo me joge, quantas vezes me insulte, me desafie e se coloque no meu caminho. Tudo o que Ele me diz não muda quem eu sou. Pode ser que minha família não seja restaurada. Eu sou uma nova geração e como uma vez respondi ao Diabo num dia que ele me atormentava: não importa se andarei sozinha ou acompanhada, todos os dias da minha vida declararei que tu és um derrotado..todos os dias você vai me aguentar! Você não pode mudar quem eu sou!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UMA ORAÇÃO PURITANA


Senhor Santo, eu pequei um sem-número de vezes, sou culpado de orgulho e incredulidade, de fracasso em encontrar a Tua mente na Tua Palavra, de negligência em Te buscar no meu viver diário. Minhas transgressões e fraquezas denunciam-me com uma lista de acusações, mas eu Te bendigo porque elas não prevalecerão contra mim, pois todas elas foram postas em Cristo. Continua subjugando minhas perversões e concede-me graça para viver acima delas. Não deixa que as paixões da minha carne ou as concupiscências da minha mente levem o meu espírito à escravidão, mas governa Tu sobre mim, em liberdade e poder.

Eu Te agradeço porque muitas das minhas orações foram recusadas. Eu pedi mal e não recebi; eu orei com base em concupiscências e fui rejeitado; eu cobicei o Egito e foi-me dado um deserto. Continua com Tua paciente obra, respondendo "não" às minhas orações iníquas, e capacitando-me a aceitar isso. Purifica-me de todo desejo falso, toda aspiração egoísta, tudo aquilo que é contrário ao Teu preceito.
Eu Te agradeço por Tua sabedoria e Teu amor, por todos os atos de disciplina aos quais sou submetido, por algumas vezes ser colocado na fornalha para que meu ouro seja refinado e minhas impurezas, removidas.

Nenhum julgamento é tão difícil de suportar quanto a percepção do pecado.
Se Tu me desses a escolha entre viver em gozo e permanecer com meus pecados, ou tê-los destruídos com julgamento,então dá-me essa aflição santificada.
Afasta-me de todo hábito maligno, todo crescimento de pecados passados,tudo aquilo que ofusca o brilho da Tua graça em mim,tudo aquilo que me impede de deleitar-me contigo.
Então, eu Te bendirei, Deus de Jesurum, por me ajudares a permanecer de pé.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Teu silêncio (04-09-2010)




E quando Deus responde com o silêncio..

o que você faz?

Quando perguntas permanecem sem respostas,

orações ainda não são respondidas..

E não há nuvens no céu, na esperança de chuva...

Não há arco iris na esperança que a tempestade passe..

Aparentemente tudo permanece igual..

Em silêncio você caminha...

Ele nada responde...

Na cruz, um dia, Ele também caminhou em silêncio...

O corpo doído, moído..

sozinho, a carregar a dor, a cruz e sua solidão...

Levantou e falou “Se quiseres passa te mim este cálice”.

O que Deus respondeu?

Nada. Só o silêncio...

Tenho tentando entender,

o que mil palavras não conseguem dizer...

o que estás a me dizer, quando permaneces em silêncio...

Vou fazer calar minha alma,

esperarei, mesmo que tudo ainda fique sem reposta..

sei o que dirias se falasses e talvez.. por isso... não fales:

Minha graça, e somente ela, te basta!

Velando a promessa...




E quando o inimigo te convida a olhar ao lado? E te faz perceber que nada mudou ...quando as coisas doem em teu ser...e você luta contra coisas que são muito maiores que você. Não, não perguntarei a Ele o porquê. Outras vezes perguntei e só obtive seu silêncio como resposta. Ele sabe o que sinto, o que penso e conhece meu silêncio como ninguém. Tem uma montanha na minha frente e com ela vem minha insegurança, meu medo, minha falta de fé...tudo está diante de mim. Contudo, o que Ele me diz? Nada. Não há nuvens de fogo, forças sobrenaturais, água no deserto ou forças que se sobrepõe à natureza. Não, Ele me response com o silêncio.

Ele conhece minha dor, a força com que o inimigo se levanta diante de mim e me desafia. Ele sabe como me atingir, como me fazer triste ficar. Obvio que sei que ele é um derrotado. Isso não compete a mim. Já foi vencido, na cruz Cristo o destronou. Aí está. Está não é minha luta. De forma nenhuma. O Diabo muitas vezes quis transformar a minha luta numa luta minha contra ele. Esperteza, obviamente. A questão é que eu nunca fiz nada em meu nome. Se enfrentei o Diabo, se disse a ele que era um derrotado, foi porque Ele me chamou, me convocou e me faz mais que vencedora.

Ele me fez uma promessa. Ele não é homem para mentir, a seu tempo tudo se cumprirá.. mas quando você observa o passar do tempo e percebe que o Diabo continua fazendo o que quer diante de ti. O que você faz? Não, não vou fazer o que ele quer. Só te direi uma coisa e escreverei aqui para ficar registrado. Não sei até quando meu Deus vai permitir que você continue morando na minha casa, não sei quanto tempo Ele vai me esmagar. Mas direi como disse Jó, apesar de eu não poder me comparar com ele: mesmo que Ele me mate eu o louvarei. Lembro também dos amigos de Daniel, se ele quiser ele me livra do fogo, mas eu não me prostro diante de ti. Só Deus sabe até onde irei, onde tudo vai dar, mas eu o adorarei todos os dias da minha vida e até que eu morra todos os dias você ouvirá a minha voz glorificando aquele que é digno. Aleluia!!!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aprendendo a confiar..


Louvo a Deus porque ele não me trata, nem jamais me tratou conforme mereço. Quando penso nisso me sinto triste, porque gostaria de ser diferente e me apresentar diante de Deus como um obreiro aprovado que não tem do que se envergonhar. Contudo, há muitas coisas pelas quais me envergonho, sei que não agradam a Deus, sei que estão lá dentro e entristecem aquele que me ama. É um processo, tenho consciência disso e eu, inclusive, posso perceber várias mudanças na minha vida. No entanto, conforme o tempo passa, mais percebo coisas que o desagradam e o entristecem na minha vida. Até que ponto desejo mais as minhas coisas do mundo e agradar aos outros do que agradá-lo? Até que ponto amo mais o mundo e suas ofertas do que aquele que é o meu único e exclusivo amor? Como diz uma mulher que admiro muito, andar perto de Deus dói.
Participei de uma seleção para tutoria de um curso à distância. Vi que tinham muitos inscritos, mas juntei todas as coisas do meu currículo, fiz uma carta de intenções e entreguei tudo. Bem, o resultado era para sair na quinta, mas dizia no edital que poderiam haver entrevistas. Eu me esqueci deste detalhe e não vi meu e-mail. Quando abri meu e-mail na quinta feira e fui lendo os vários que tinham na caixa eu percebi que havia um e-mail marcando uma entrevista para aquela manha e eu não havia visto. Tentei ligar para o local, mas ninguém atendeu. Fiquei muito triste e um certo pensamento tipo “nada dá certo para mim” me tomou. Não, não sou o tipo que pragueja ou murmura. Fiquei quieta, não agradeci para não ser hipócrita, mas fiquei em silêncio, chateada com tudo aquilo. Enviei um e-mail e esperei a resposta. No final fiz a entrevista na sexta de manhã e agora estou aguardando o resultado. No entanto, não é isso o que quero salientar.Depois de tudo o que ocorreu eu não pensei mais sobre o assunto. No entanto, eu estava no culto sábado e durante a pregação, não me lembro exatamente porque o Espírito Santo me fez lembrar de quinta e me disse bem claro, no fundo do coração “Débora, você não confia em mim”. Não me contive, me derramei em lágrimas. Não, não foi uma acusação, aliás ele nunca me acusou de nada. Eu não conseguia dizer nada...a tristeza dentro de mim era muito grande..arrependimento, quebrantamento...cheguei em casa mais tarde e pedi perdão, mas não prometi que ia mudar, sei que não consigo sozinha, preciso Dele para ser transformada. Sempre fui independente e resolvi as coisas por mim mesma. Amadureci muito cedo e fui atrás do que queria. Estudei um bocado para entrar na Ufrgs, fui atrás dos trabalhos e busquei a excelência. Na minha independência sei que, muitas vezes, entristeço Ele. No entanto, com carinho e amor, Ele tem me tratado. Isso me causa uma dor muito grande ao perceber claramente minhas fraquezas,.mas me alegra saber que estou no caminho. Cada dia Ele me ensina que não depende de mim, que não eu quem faço, mas Ele através da minha vida. Não importa minhas fraquezas ou falhas, Ele me capacita... glorificado seja por isso!!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Podridões




Estou há mais de uma semana sem ir à faculdade e ver meus colegas. Muitos deles estão viajando e eu, por alguns motivos, decidi que não ia viajar neste semestre. Bem, estranhamente estou com uma sensação semelhante a que sinto nas férias de julho e de janeiro. Não tenho a mínima vontade de voltar, de ter aula e trabalhar novamente. Quero ficar em casa, estudando trabalhando, mas tendo a minha comunhão com Deus, sem nada que me impeça ou me incomode. É óbvio que sei que esse não é o querer de Deus e eu devo sair, testemunhar e não me calar. A questão é que quando volto aos “contatos normais” sinto como se algo mudasse por mais que não mude efetivamente. Eu não deixo de amar a Deus, não deixo de servi-lo, mas, indiretamente, sou contaminada e, por vezes, perco a visão.


Quantas vezes me vi correndo exatamente como os que não conhecem a Deus? Quantas vezes pensei que era quem tinha que fazer, lutar e prevalecer? Quantas vezes desejei com meu coração a glória e os louvores do mundo¿ Quantas vezes quis ser aplaudida, admirada, aceita entre meus pares e honrada? Sim, sou contaminada. Percebo que busco coisas que não são o reino do céus e que luto por coisas que não são, de forma alguma, eternas. Além disso, por vezes deixei o Diabo fazer com que eu me sentisse ridícula por acreditar em santidade e pureza, coisas que no nosso mundo são absurdas.


Contudo, por outro lado, já dizia Jesus que o que contamina não é o que está fora, mas o que está dentro. Essas coisas não existem fora de mim, elas habitam no meu coração. Lá estão o orgulho, a inveja, a cobiça, o desejo de ser lembrado, apreciado, amado e querido. O que faço com tudo isso? Escondo? De forma alguma! Como posso esconder algo do que conhece todas as coisas? A podridão do meu ser fede dia após dia diante de mim...e quando acho que posso ter melhorado.. é engano, continua fedorento tudo aqui dentro. No fundo tudo o que surge nestes momentos é o que está dentro do meu coração e não surge antes porque não tem oportunidade. Mas assim que tem, ali está toda sujeira. No entanto, é preciso não desistir, continuar... o caminho da morte está logo à frente.


terça-feira, 20 de julho de 2010

à caminho da morte...


Às vezes, no caminho da cruz, há momentos de desespero e profunda tristeza. Quando não se enxerga o sol após a chuva, a alegria após as lágrimas. Muitas vezes, creio, que Deus nos permite caminhar sem ver nenhum sinal de que Ele está conosco. Não há nuvem de fogo, não vemos anjos, nem algo sobrenatural que revele sua presença sobre a nossa vida. Contudo, é necessário continuar crendo, continuar caminhando, mesmo quando não vemos nenhum sinal do céu. Adorar, mesmo quando não vemos respostas e quando as perguntas ainda permanecem no ar.

Hoje tive destes momentos. Mais uma vez uma pessoa da minha família discutiu comigo por uma futilidade, uma bobagem. Humilhou-me e me mandou embora. Quando fui orar pude perceber uma coisa. Eu nunca consegui interceder por muito tempo por esta pessoa e por isso ela ainda não foi liberta. Por que? Porque nunca a amei de fato. Como ela sempre fez o que era abominável aos meus olhos e era hipócrita, fingindo diante dos outros o que eu sabia não existir não conseguia amá-la pura e verdadeiramente. Quando eu era criança esta pessoa me bateu sem motivo, me espancou e sempre fez muitas coisas que eu odiava. Com todas as letras. O fato de hoje eu começar a amá-la é o símbolo de uma transformação grande na minha vida, primeiro pela compreensão que o amor, assim como o perdão, não é sentimento, mas decisão. Deus tem me transformado completamente, mudado meu senso de justiça e de julgamento. Como Ele faz isso ? Me quebrando... aos poucos, pedaço por pedaço... me mostrando que minha justiça “bonitinha”, não passa de trapos de imundícia. Hoje vejo claramente a passagem de I Coríntios que fala da loucura da pregação e da cruz. Diante da racionalidade humana, do certo e errado, a cruz e o perdão são loucura. Pensamos que as pessoas devem pagar pelos seus erros, pelos seus pecados, pelo que fazem de errado. Julgamos com mão pesada os outros, acusando-os segundo nosso próprio entendimento porque nos vemos como “pessoas boas” e justas. E o que Jesus nos ensina¿ Ame os que todos desprezam, os errados, os presos, os maus.. se vocês amarem os fáceis de amar é de vocês mesmos esse amor, porque isso é fácil.. amem os que ninguém quer mais, os que ninguém lembra mais, esse amor é o meu, porque é amor da morte, da cruz.

Sinto um chamado para amar esta pessoa, orar por ela, jejuar por ela, interceder por ela... Forças para isso?Não tenho. Repito: não tenho. Não acredito em mim, nem nas minhas forças, mas naquele que me chamou.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Livre Arbítrio e santidade (1)



Acho incrível como nas igrejas, mas não só nelas, gostamos de responder a perguntas reafirmando pontos comuns que não necessariamente concordamos, mas que por falta de uma argumentação melhor, achamos melhor repetir o que dezenas já afirmam. Assim é a questão do livre arbítrio. Lembro de diversas vezes quando alguém questionava porque fulano ou ciclano não havia se convertido, sempre havia alguém pronto para dar a resposta que Deus respeita o livre arbítrio e que Ele não nos obriga a fazer nada. Minha intenção nesta postagem não é entrar numa discussão teológica sobre predestinação e livre arbítrio. Não teria argumentação sobre isso e, sinceramente, essas questões nem me interessam. Quero entender como isso se dá na minha vida e em certas coisas que venho pensando já faz algum tempo.

Na faculdade conheci dois colegas que eram mulçumanos. Frente a um mundo acadêmico em que a grande maioria é ateu, ter religião já é uma grande coisa. Assim, eu os respeitava, admirava sua coragem que, sem o Espírito Santo, tinham uma postura diferente dos que estavam ao seu redor. Bem, conforme os fui conhecendo, me decepcionei. Por que eles não praticavam o que pregavam, pelo contrário, em festas, encontros da turma, entre outros, agiam como qualquer um. Não julguei precipitadamente, mas pude ver e ouvir isso se repetir em mais de uma ocasião. Não quero dizer com isso que eles são hipócritas (embora não deixem de ser), mas enfatizar o fato de que não existe santidade ou comprometimento sem o Espírito Santo. Sozinhos somos falhos, cheios de erros e passíveis de engano. Citei meus colegas, mas poderia citar dezenas de religiosos em nossas igrejas que vivem uma vida de aparente santidade, pregam o que não fazem e afirmam o que não crêem. No seu interior há sujeira e podridão, mas eles escondem isso diante dos outros e diante de Deus (como se fosse possível) para manter as aparências e a posição de religioso.

Há alguns anos eu entrava em “chats” para conversar com as pessoas quando não tinha nada para fazer. Costumava entrar “nos evangélicos” para ver se encontrava alguém para conversar um pouco. Lembro que uma vez adicionei no MSN um rapaz que me disse certas coisas que me chocaram. Ele me disse que gostava de entrar no chat evangélico para conversar com moças e rapazes evangélicos sobre sexo, entre outras coisas. E que ele notava que os evangélicos eram pessoas reprimidas, que, nestes momentos, se soltavam e diziam realmente o que pensavam e sentiam. Ele disse que eu era a primeira pessoa que era evangélica e não queria falar sobre essas coisas e que a “ religião” parecia ser realmente algo verdadeiro, falei para ele porque eu era assim e que o cristianismo não era só uma religião para mim. Posteriormente bloquiei esse rapaz no meu MSN porque infelizmente ele insistia em falar sobre tais assuntos, mas o que ele me falou me tocou profundamente. A maioria de nós, se não vive uma vida nova pelo Espírito Santo, vive amordaçando a si próprio, lutando diariamente contra pensamentos impuros e vontades pecaminosas. Creio que essa não é a vida que Deus tem para nós. Uma vez livres, o pecado já não tem mais poder sobre nós. Nós morremos para nós mesmos, para nossas vontades e desejos e, pela graça, desfrutamos desta nova vida, livres das rédeas do engano e da concupiscência da nossa carne.

domingo, 4 de julho de 2010

Aprendendo a confiar


Era domingo passado, meu dia de ministrar aulas para as crianças e eu estava com uma dor de cabeça insuportável. A dor havia começado no sábado, havia dormido com certa dificuldade e no domingo ela havia retornado. A intensidade era tanta que às vezes me dava uma tontura. Bem, durante o domingo pensei várias vezes em ligar para a coordenadora e dizer que não poderia dar aula, que não podia trabalhar daquela forma. Não sei porque ma não fiz isso. À tarde fui à reunião da Escola Bíblica e a dor permanecia, junto com a tontura. E a pergunta era: como vou dar aula deste jeito? Bem, na reunião terei me desvincular da dor (se é que isso era possível). Quando menos eu esperava, quinze minutos antes da aula começar, minha dor “num passe de mágica” desapareceu. Como tinha que preparar material, fui fazendo, organizando as cadeiras e a sala em geral. Recebi as crianças, louvamos e depois eu trouxe uma palavra, sobre oração. Foi muito benção, apesar de ter quase 50 crianças naquela sala.

Bem, quando volta para casa comecei a pensar no que havia acontecido e tive, mais uma vez, vergonha. Por que? Bem, porque eu AINDA NÃO SEI CONFIAR EM DEUS. Pergunto-me sempre: o que vai acontecer? Como vou resolver isso? Como posso encontrar a solução para aquilo? Em nenhum momento em consegui deixar Deus agir, tomar as rédeas da situação. Eu estava preocupada, por que como EU ia dar aula? Como eu ia resolver o problema? Naquele momento havia esquecido que foi Ele quem me chamou, que é por ele e para ele que trabalho, vivo, respiro todos os dias. Por que trabalho na Escola Bíblia há quase 10 anos? Em nome de quem faço tudo isso? Puxa vida, se faço no nome dele, como posso achar que sou eu quem deve resolver tudo? Que tudo esta sobre MEU controle?

A questão é que isso é só um pequeno exemplo da minha vergonha, do fato de tentar resolver tudo sozinha, de achar que se eu não fizer nada, ninguém fará por mim. Sei que isso é um traço da minha personalidade. Sempre fui atrás das coisas: empregos, estudos, oportunidades, etc. Obviamente reconheço o Senhor em tudo isso, mas para mim é difícil não fazer nada, deixar Ele agir. Por que? Porque no fundo duvido, no fundo não creio. Lembro de uma vez que eu estava indo ao retiro de Carnaval preocupada com o futuro. Meu contrato de trabalho estava acabando, eu não estava conseguindo guardar dinheiro e eu não tinha nada certo para o futuro. Deus me disse bem claro, no meu coração, dentro do trem: Quem te sustentou até hoje? Quem te deu tudo o que tens? Sou eu e eu sempre cuidarei de você. Eu, ali no trem, me desmanchei em lágrimas. Sei que é um processo imenso deixar Deus guiar, tomar as decisões, te direcionar, mesmo que pareça que no final do caminho há um buraco, mas é preciso confiar que se há uma valeta, Deus faz a ponte para você passar.