
<><>Eu, pessoalmente, gosto muito das canções que enfatizam a soberania de Deus, nossa limitação em relação ao seu poder e seu inacessível pensamento. Afina, quem somos nós diante dele? Ou o que pensamos ou queremos ser comparável a ele? Nos cultos nós geralmente gostamos de cantar isso, enfatizando com muito fervor que ele está acima dos reis, dos principados, de tudo.
<><>Contudo, no dia-a-dia, quando as coisas fogem do nosso controle é difícil enfatizar isso com força. É como se ele tivesse lá na igreja, nas músicas, quando oramos, mas não nos nosso cotidiano, quando nos deparamos com coisas sem sentido. Claro, aí está meu grande defeito de tentar encontrar explicação para tudo e resolver tudo racionalmente. Para mim, é como se tudo necessitasse ter uma explicação lógica. Mas, o pior, é que nem tudo tem.
<><>Uma época eu tentava explicar as grandes catástrofes do mundo, o holocausto, o racismo... e não encontrava nenhum tipo de argumento. Não acredito no argumento religioso que Deus se agrada com isso, porque são perversos. Aliás, esses argumentos me envergonham. Olhem para Jesus! Quando foi que ele olhou para alguém com olhos de impiedade? Quando trouxeram uma mulher prostituta, rejeitada entre todos, ele não a rejeitou, a perdoou. Jesus olhava com olhar de compaixão, o abandonado, o sem valor, o esquecido. Se Jesus vivesse hoje choraria frente ao que vemos estampados tanta tristeza e injustiça, jamais se alegraria com a morte do perverso.
<><>Mas, hoje, o que me incomoda não é isso. Tem a ver com minha vida pessoal, aliás, com minha família, que vive um evangelho de aparência e vazio. Não acredito que as coisas acontecem porque os homens decidem, querem. Jesus respondeu a Pilatos que ele estava no trono não porque quisesse, mas porque Deus permitiu. Ele faz o que ele quer. Assim eu creio. Por isso, não acredito que o Diabo possa fazer tanta coisa. Ele é, acima de tudo, um derrotado. No entanto, não entendo. Não consigo compreender o que Deus quer fazer comigo, porque demora a vitória. O que estará me dizendo? Claro que penso estas coisas e, ao mesmo tempo, me retalho. Quem sou eu para perguntar isso? Barro, somente barro.