quarta-feira, 14 de julho de 2010

Livre Arbítrio e santidade (1)



Acho incrível como nas igrejas, mas não só nelas, gostamos de responder a perguntas reafirmando pontos comuns que não necessariamente concordamos, mas que por falta de uma argumentação melhor, achamos melhor repetir o que dezenas já afirmam. Assim é a questão do livre arbítrio. Lembro de diversas vezes quando alguém questionava porque fulano ou ciclano não havia se convertido, sempre havia alguém pronto para dar a resposta que Deus respeita o livre arbítrio e que Ele não nos obriga a fazer nada. Minha intenção nesta postagem não é entrar numa discussão teológica sobre predestinação e livre arbítrio. Não teria argumentação sobre isso e, sinceramente, essas questões nem me interessam. Quero entender como isso se dá na minha vida e em certas coisas que venho pensando já faz algum tempo.

Na faculdade conheci dois colegas que eram mulçumanos. Frente a um mundo acadêmico em que a grande maioria é ateu, ter religião já é uma grande coisa. Assim, eu os respeitava, admirava sua coragem que, sem o Espírito Santo, tinham uma postura diferente dos que estavam ao seu redor. Bem, conforme os fui conhecendo, me decepcionei. Por que eles não praticavam o que pregavam, pelo contrário, em festas, encontros da turma, entre outros, agiam como qualquer um. Não julguei precipitadamente, mas pude ver e ouvir isso se repetir em mais de uma ocasião. Não quero dizer com isso que eles são hipócritas (embora não deixem de ser), mas enfatizar o fato de que não existe santidade ou comprometimento sem o Espírito Santo. Sozinhos somos falhos, cheios de erros e passíveis de engano. Citei meus colegas, mas poderia citar dezenas de religiosos em nossas igrejas que vivem uma vida de aparente santidade, pregam o que não fazem e afirmam o que não crêem. No seu interior há sujeira e podridão, mas eles escondem isso diante dos outros e diante de Deus (como se fosse possível) para manter as aparências e a posição de religioso.

Há alguns anos eu entrava em “chats” para conversar com as pessoas quando não tinha nada para fazer. Costumava entrar “nos evangélicos” para ver se encontrava alguém para conversar um pouco. Lembro que uma vez adicionei no MSN um rapaz que me disse certas coisas que me chocaram. Ele me disse que gostava de entrar no chat evangélico para conversar com moças e rapazes evangélicos sobre sexo, entre outras coisas. E que ele notava que os evangélicos eram pessoas reprimidas, que, nestes momentos, se soltavam e diziam realmente o que pensavam e sentiam. Ele disse que eu era a primeira pessoa que era evangélica e não queria falar sobre essas coisas e que a “ religião” parecia ser realmente algo verdadeiro, falei para ele porque eu era assim e que o cristianismo não era só uma religião para mim. Posteriormente bloquiei esse rapaz no meu MSN porque infelizmente ele insistia em falar sobre tais assuntos, mas o que ele me falou me tocou profundamente. A maioria de nós, se não vive uma vida nova pelo Espírito Santo, vive amordaçando a si próprio, lutando diariamente contra pensamentos impuros e vontades pecaminosas. Creio que essa não é a vida que Deus tem para nós. Uma vez livres, o pecado já não tem mais poder sobre nós. Nós morremos para nós mesmos, para nossas vontades e desejos e, pela graça, desfrutamos desta nova vida, livres das rédeas do engano e da concupiscência da nossa carne.

Um comentário:

Anônimo disse...

esta postagem fala dentro de cada coração, é uma realidade, infelizmente, vivida por todos.