quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Caminho pedregoso


embro de uma pregação que ouvi uma vez da Helena Tannure, uma mulher que admiro de uma forma particular. Ela contava de experiências de sua vida e como Deus havia tratado características de seu caráter. Ela contou de uma vez que sentiu inveja, outra que queria aparecer, etc. Talvez essas pessoas que falem disso em público enfrentem uma grande opressão. Contudo, creio que fazendo assim elas permitem que outras pessoas percebam que certas coisas na vida do cristão são formas como Deus trata nosso caráter. É uma ilusão acharmos que porque somos salvos nada de ruim vai habitar nosso interior. Pelo contrário, conforme avançamos na vida com Deus mais algumas coisas se tornam evidentes e coisas que eram “normais” passam a ser podridões, mostra de nosso afastamento do querer de Deus. No mundo secular as pessoas sentem raiva, ciúme, inveja, rancor, mágoa... e acham normal e nós tendemos a considerar “normal” quando não andamos com Deus. No entanto, conforme nós andamos com Ele percebemos que essas coisas não devem habitar nosso coração. Que Ele deve ser quebrado, quebrantado para que o Espírito Santo habite. É uma luta constante. Mais difícil do que a luta contra o Diabo ou o mundo, porque é uma luta interna.

Isso ocorreu comigo ontem, mas tendo relação com outros dias. Tem um colégio que é muito bom, sendo o “sonho” da maioria dos professores ministrar aulas lá. Há tempos não tem concurso para ele. Esse ano teve concurso para duas vagas. Eu vi o concurso e resolvi estudar, deixando por um tempo a dissertação de lado. Bem, estudei um bocado e para isso diminui, para minha vergonha, inclusive, o meu tempo com Deus. O stress chegou a tal nível que eu acabei pegando uma infecção respiratória. Fiquei vários dias doente. Não fui bem na prova. Estava com uma dor de cabeça forte e não consegui me concentrar o suficiente. Foi bem complicado ver que todo esforço não valeu para nada. E depois quando percebi a grande besteira que fiz abrindo mão do que é mais precioso, minha comunhão com Deus, doeu mais ainda. Bem, a questão é que ontem o resultado saiu e três colegas que conheço passaram para a segunda fase. O que senti deles? Inveja. Sim, com todas as letras. Me senti péssima por isso, mas era isso o que sentia, inveja deles e porque eles não haviam estudado o quanto eu havia. Outra coisa ruim foi perceber o quanto as coisas desse mundo, a corrida desenfreada me atinge, o quanto corro como os outros e quero ter dinheiro, conquistas, bens...Meu coração não é totalmente dele e eu ponho meus desejos e sonhos em coisas que são pó. Como pode meu coração um dia arder na presença dele e no outro arder de ciume e inveja porque outros se deram num momento melhor que eu? Não sei explicar e percebo que a luta mais pesada, a mais cruel de todas é contra nós mesmos. Eu não gosto de como sou, mas sei que é um processo complicado e que, Glória a Ele por isso, o caminho já começou.

Também me sinto incapacitada quando vou mal nestes concursos, como se não fosse inteligente o suficiente. Tendo a pensar que depende de mim, só de mim. Me esqueço que ele está no controle e que se fosse da sua vontade eu teria entrado, eu teria passado. Ele não quis e Ele não precisa me explicar o porquê. Eu sou Dele, propriedade Dele. Não é o contrário. Ele não me deve satisfação nenhuma. Lembro da seleção do mestrado. Estudei como podia, fazia várias coisas ao mesmo tempo, mesmo assim Ele me colocou em primeiro lugar. Mérito meu? Óbvio que não. Foi Ele que quis, e agiu como desejou. Sei que é um processo, mas me alegra saber que estou no caminho e que se Ele me quebranta, me arrebenta por dentro é porque, de uma forma ou outra, encontra em mim um coração disposto a ouvir sua voz.

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