terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Morrer...




<><>Como é difícil morrer. Por mais que eu tente, fale para mim mesma que irei mudar. Quando vejo já fiz tudo exatamente como tinha dido que não faria mais. Não consigo me vencer, tenho dificuldade em viver uma nova vida. Bonito é cantar aquelas canções que falam coisas tão bonitas sobre viver para Deus, deixar os sonhos pessoais de lado, difícil é viver isso no dia a dia mesmo. A gente muitas vezes canta sem pensar no que diz a música, por mera repetição e continuamos vivendo a mesma vida : sem morrer, se contentando com nossa vida monótoma e vazia.
<><>Tenho uma dificuldade imensa em amar meu pai. Se bem que amar até amo, mas não demonstro isso. Ele tem todas as características que me causam repulsa. Ele faz muitas coisas e se faz de vítima. Sei de muita coisa que ele fez e ele vive como se não precisasse de arrependimento, de mudança. Julga a todos, mas jamais se submete a julgamento. Pelo contrário, se falamos algo ele se faz de vítima e diz que, na minha visão, só ele é errado. A verdade é que sempre discuto com ele. Todos os dias em que estou em casa. Já o chamei de hipócrita, de acomodado, ...
<><>Ele cita a bíblia e se diz ministro do evangelho. Vive uma vida de aparências. Quando muito, porque nós, que convivemos com ele, sabemos que ele não é o que diz ser. Já vi ele fazendo muita coisa. Tinha uma época em que eu descobri que ele mandava cartas para uma mulher (que se dizia missionária) e planejava a morte de minha mãe (ele dizia que ela morreria logo, de câncer) e planejava filhos com essa outra mulher. Minha tia e minha vó sabiam de tudo, para minha vergonha e tristeza. Nesta época acabei me afastando muito de Deus... não acreditava em tudo aquilo que estava acontecendo. É muita sujeira, muita hipocrisia, muita máscara.
<><>Meu pai ofende as pesoas, fala mal delas. Está sempre pronto para apontar o dedo e acusar. Sempre. Quando falo qualquer coisa, ele se faz de vítima. Outra coisa que não aceito é que ele não trabalha, isso há 14 anos. Minha mãe que trabalha. Aliás, ela sente uma revolta muito grande por conta disso, porque ela não aceita, mas também não toma posição sobre isso. Com ela não falo nada sobre isso, ela jamais entenderia, jamais me falaria para ama-lo e respeita-lo. Ela odeia ele e permanece casada com ele. Se me perguntar como convivo com isso há tantos anos, minha resposta seria pela bondade e misericórdia de Deus. Meus pais já quase se mataram dentro de casa. Cresci num lar onde os pais convivem juntos, mas jamais foram casados. Quando o Diabo se manifestou uma vez para mim, acusou-me “tua família é minha”. É verdade. O que poderia responder?
<><>Sei que meu pai é o ponto central, é nele que o espírito maligno habilita, ali ele mora. Meu pai é dele e não é de agora, sua história está cheia de brechas que ele deu para o diabo. Ele tem um espírito de engano, que cega sua mente e o impede de se arrepender. Deus um dia me mostrou tudo isso.
<><>A questão é que quando estou em casa com ele, não consigo refletir sobre tudo isso. O chamo de hipócrita, de falso. Não consigo entendê-lo. Psicologicamente sei que o culpo pela nossa situação financeira, por ter que trabalhar tanto,... Ele não se importa com minhas coisas, com minha vida e às vezes sinto uma tristeza muito grande quando o comparo com os pais de meus colegas, por exemplo.
<><>Contudo, sei que tenho que mudar. Não é ele que tem que mudar agora, sou eu. Sei do meu chamado, do porque estou aqui, mas não consigo me vencer. Essa é a verdade. As mágoas ainda permanecem interiores. De certa forma é fácil expulsar demônios. Ele está ali, você sabe que está. Não sabe a trajetória daquela pessoa, o quanto ela feriou os outros, você só expulsa, aconselha. Mas quando é na tua casa? Quando o diabo te diz que mora lá, que faz o que quer lá e mais te engana fazendo ficar contra o inimigo errado? O diabo quer que eu discuta com meu pai, que eu não o honre, para que ele tenha brecha, para que o Espírito Santo se entristeça.
<><>Para ama-lo preciso morrer, me vencer. O caminho da cruz me espera.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Desistir ou resistir


<><>"(...) os que esperam no Senhor, renovarão as suas forças subirão com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não fatigam". Isaias 40:31

<><>A tendência é cansarmos. Digo isso por experiência própria. Nenhum ser humano tem força monumental capaz de suportar tudo. Nossas limitações são evidentes. Não temos força para suportar lutas e privações eternas. Em um certo momento a força se esgota e há dois caminhos, desistir e "virar a mesa" ou ir "empurrando com a barriga". Os ventos contrários são múltiplos e nossas forças limitadas.

<><> Esses dias uma pessoa me disse que estava cansada, de lutar de esperar e que não tinha mais esperança. Ela estava certa. Repito, ela estava certa, humanamente falando. A tendência é enfraquecermos, lutando contra algo que a vitória parece distante. O pior inimigo? O tempo. Sim, porque quando você perebe que o tempo passou e suas orações não foram respondidas, que nada no céu indica que será breve, dói e a tendência, a vontade, repito, é desistir.

<><>Às vezes sinto vontade de desistir. Porque muito tempo já passou, as repostas não chegaram e o inimigo me diz todo dia que nada adianta. Sinto, por vezes, vontade de dar às costas, viver minha vida e esquecer o chamado, a cruz, o morrer. Mas, quando ele vem.... Ah, quando o sinto me tocar me sinto com a força de um leão, com a energia além da imaginação... sem sono, sem desânimo, olho para frente e tenho absoluta certeza da vitória. Quando ele me toca e diz que me ama, que me conhece, que sabe de minhas limiações, mas que me sustenta. Isso é impagável, não há dinheiro no mundo que compre isso.

<><>Disso eu dependo, da coragem que ele me dá, do ânimo que coloca sobre a minha vida. Olhando para ele, resisto, caminho, crendo que por ele luto e em seu nome cumpro seu propósito. Onde tudo vai terminar? Não sei reponder, mas teho certeza que devo continuar e que ele tem em sua mãos a minha vida.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

o caminho da cruz


<><>Todo dia ele me afronta, prepara armadilhas. Abre as mãos, me oferece o mundo e me diz: "por que escolher este caminho? Olhe o que posso te dar, o que posso te oferecer. São jóias, títulos, glórias,... Mas, se insistires, podes ficar neste caminho, mas, por favor, desista da cruz. Ela é a minha própria humilhação, você me vence com ela". A última parte ele não diz, porque é mentiroso e insiste que vence, que vai me vencer.
<><> Escrevo estas linhas e meus olhos enchem de água. Mas, não posso chorar livremente, não estou num ambiente propício a isso. No entanto, o caminho da cruz tem me machucado bastante. Ele acaba com toda altivez, com a tua segurança, com a força que achas que tens. Ela pesa, faz sangrar, às vezes a gente caí, olha para os lados... os olhos continuam postos em você, todos esperam para ver como vais reagir, se vais desistir. E ele? Bem, teu inimigo espera todos os dias que você desista, te prepara ciladas, bem armadas, para te derrubar, te fazer cair. Te atingir ele não pode, você tem a unção da cruz, o poder da cruz, mas quem está ao teu lado, quem tu amas, nem sempre tem a mesma autoridade. Fácil , né? Ele vai pegar eles, usa-los contra você e, mais te chantagear, mostar que tu é, sim, vulnerável.
<><> Foi isso o que ele fez comigo hoje. Não pela primeira vez. Fácil é gritar contra o diabo quando tudo na tu vida vai a mil maravilhas, mas quando você vê, com todas as cores, ele agindo contra quem tu amas, é muito difícil. Eu diria mais, eu diria que é dolorido.
<><> É engraçado, mas na hora que eu o enfrento Deus me reveste de autoridade, eu não tenho medo, o enfrento e digo"sai, em nome de Jesus. Tu és um derrotado". Mas, depois a sensação que tenho é de profunda e densa tristeza. É como se ele disesse, "eu ainda continuo aqui, não importa o que faças. Tu eu não te atinjo, mas faço o que quero com quem amas". O pior é que não é de agora, mas se perguntou Deus não me responde. Ele só me mandou continuar. É, eu ainda não cheguei a cruz, mas, pelo menos, estou no caminho.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Amar é morrer (09/03/05)


Poema escrito por mim, em momentos de reflexão.

Amar é morrer,
Tenho aprendido isso...
É morrer para tuas razões,
É sepultar tuas intenções,
É os sonhos pessoais abandonar,
Os planos pessoais não mais olhar...
Amar é escolher o caminho da cruz,
É optar pelo caminho do escárnio
E da não compreensão humana...
Amar é ser dia a dia experimentado na paciência,
É fazer morrer todo teu senso de justiça,
E os direitos antes reinvidicados...
São simplesmente sepultados...
Amar é contra a inquietação lutar,
É saber esperar...
Amar é sentir o interior totalmente esmagado,
É ser com Cristo crucificado...
Amar é não conseguir nada entender,
Mas ainda crer...
Amar é perdoar,
Quem diariamente se propõe a magoar,
Quem diariamente se propõe a machucar,
É com olhos da fé olhar,
A reposta que parece demorar...
Amar é decidir morrer,
E no final do processo não mais se reconhecer...