terça-feira, 20 de julho de 2010

à caminho da morte...


Às vezes, no caminho da cruz, há momentos de desespero e profunda tristeza. Quando não se enxerga o sol após a chuva, a alegria após as lágrimas. Muitas vezes, creio, que Deus nos permite caminhar sem ver nenhum sinal de que Ele está conosco. Não há nuvem de fogo, não vemos anjos, nem algo sobrenatural que revele sua presença sobre a nossa vida. Contudo, é necessário continuar crendo, continuar caminhando, mesmo quando não vemos nenhum sinal do céu. Adorar, mesmo quando não vemos respostas e quando as perguntas ainda permanecem no ar.

Hoje tive destes momentos. Mais uma vez uma pessoa da minha família discutiu comigo por uma futilidade, uma bobagem. Humilhou-me e me mandou embora. Quando fui orar pude perceber uma coisa. Eu nunca consegui interceder por muito tempo por esta pessoa e por isso ela ainda não foi liberta. Por que? Porque nunca a amei de fato. Como ela sempre fez o que era abominável aos meus olhos e era hipócrita, fingindo diante dos outros o que eu sabia não existir não conseguia amá-la pura e verdadeiramente. Quando eu era criança esta pessoa me bateu sem motivo, me espancou e sempre fez muitas coisas que eu odiava. Com todas as letras. O fato de hoje eu começar a amá-la é o símbolo de uma transformação grande na minha vida, primeiro pela compreensão que o amor, assim como o perdão, não é sentimento, mas decisão. Deus tem me transformado completamente, mudado meu senso de justiça e de julgamento. Como Ele faz isso ? Me quebrando... aos poucos, pedaço por pedaço... me mostrando que minha justiça “bonitinha”, não passa de trapos de imundícia. Hoje vejo claramente a passagem de I Coríntios que fala da loucura da pregação e da cruz. Diante da racionalidade humana, do certo e errado, a cruz e o perdão são loucura. Pensamos que as pessoas devem pagar pelos seus erros, pelos seus pecados, pelo que fazem de errado. Julgamos com mão pesada os outros, acusando-os segundo nosso próprio entendimento porque nos vemos como “pessoas boas” e justas. E o que Jesus nos ensina¿ Ame os que todos desprezam, os errados, os presos, os maus.. se vocês amarem os fáceis de amar é de vocês mesmos esse amor, porque isso é fácil.. amem os que ninguém quer mais, os que ninguém lembra mais, esse amor é o meu, porque é amor da morte, da cruz.

Sinto um chamado para amar esta pessoa, orar por ela, jejuar por ela, interceder por ela... Forças para isso?Não tenho. Repito: não tenho. Não acredito em mim, nem nas minhas forças, mas naquele que me chamou.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Livre Arbítrio e santidade (1)



Acho incrível como nas igrejas, mas não só nelas, gostamos de responder a perguntas reafirmando pontos comuns que não necessariamente concordamos, mas que por falta de uma argumentação melhor, achamos melhor repetir o que dezenas já afirmam. Assim é a questão do livre arbítrio. Lembro de diversas vezes quando alguém questionava porque fulano ou ciclano não havia se convertido, sempre havia alguém pronto para dar a resposta que Deus respeita o livre arbítrio e que Ele não nos obriga a fazer nada. Minha intenção nesta postagem não é entrar numa discussão teológica sobre predestinação e livre arbítrio. Não teria argumentação sobre isso e, sinceramente, essas questões nem me interessam. Quero entender como isso se dá na minha vida e em certas coisas que venho pensando já faz algum tempo.

Na faculdade conheci dois colegas que eram mulçumanos. Frente a um mundo acadêmico em que a grande maioria é ateu, ter religião já é uma grande coisa. Assim, eu os respeitava, admirava sua coragem que, sem o Espírito Santo, tinham uma postura diferente dos que estavam ao seu redor. Bem, conforme os fui conhecendo, me decepcionei. Por que eles não praticavam o que pregavam, pelo contrário, em festas, encontros da turma, entre outros, agiam como qualquer um. Não julguei precipitadamente, mas pude ver e ouvir isso se repetir em mais de uma ocasião. Não quero dizer com isso que eles são hipócritas (embora não deixem de ser), mas enfatizar o fato de que não existe santidade ou comprometimento sem o Espírito Santo. Sozinhos somos falhos, cheios de erros e passíveis de engano. Citei meus colegas, mas poderia citar dezenas de religiosos em nossas igrejas que vivem uma vida de aparente santidade, pregam o que não fazem e afirmam o que não crêem. No seu interior há sujeira e podridão, mas eles escondem isso diante dos outros e diante de Deus (como se fosse possível) para manter as aparências e a posição de religioso.

Há alguns anos eu entrava em “chats” para conversar com as pessoas quando não tinha nada para fazer. Costumava entrar “nos evangélicos” para ver se encontrava alguém para conversar um pouco. Lembro que uma vez adicionei no MSN um rapaz que me disse certas coisas que me chocaram. Ele me disse que gostava de entrar no chat evangélico para conversar com moças e rapazes evangélicos sobre sexo, entre outras coisas. E que ele notava que os evangélicos eram pessoas reprimidas, que, nestes momentos, se soltavam e diziam realmente o que pensavam e sentiam. Ele disse que eu era a primeira pessoa que era evangélica e não queria falar sobre essas coisas e que a “ religião” parecia ser realmente algo verdadeiro, falei para ele porque eu era assim e que o cristianismo não era só uma religião para mim. Posteriormente bloquiei esse rapaz no meu MSN porque infelizmente ele insistia em falar sobre tais assuntos, mas o que ele me falou me tocou profundamente. A maioria de nós, se não vive uma vida nova pelo Espírito Santo, vive amordaçando a si próprio, lutando diariamente contra pensamentos impuros e vontades pecaminosas. Creio que essa não é a vida que Deus tem para nós. Uma vez livres, o pecado já não tem mais poder sobre nós. Nós morremos para nós mesmos, para nossas vontades e desejos e, pela graça, desfrutamos desta nova vida, livres das rédeas do engano e da concupiscência da nossa carne.

domingo, 4 de julho de 2010

Aprendendo a confiar


Era domingo passado, meu dia de ministrar aulas para as crianças e eu estava com uma dor de cabeça insuportável. A dor havia começado no sábado, havia dormido com certa dificuldade e no domingo ela havia retornado. A intensidade era tanta que às vezes me dava uma tontura. Bem, durante o domingo pensei várias vezes em ligar para a coordenadora e dizer que não poderia dar aula, que não podia trabalhar daquela forma. Não sei porque ma não fiz isso. À tarde fui à reunião da Escola Bíblica e a dor permanecia, junto com a tontura. E a pergunta era: como vou dar aula deste jeito? Bem, na reunião terei me desvincular da dor (se é que isso era possível). Quando menos eu esperava, quinze minutos antes da aula começar, minha dor “num passe de mágica” desapareceu. Como tinha que preparar material, fui fazendo, organizando as cadeiras e a sala em geral. Recebi as crianças, louvamos e depois eu trouxe uma palavra, sobre oração. Foi muito benção, apesar de ter quase 50 crianças naquela sala.

Bem, quando volta para casa comecei a pensar no que havia acontecido e tive, mais uma vez, vergonha. Por que? Bem, porque eu AINDA NÃO SEI CONFIAR EM DEUS. Pergunto-me sempre: o que vai acontecer? Como vou resolver isso? Como posso encontrar a solução para aquilo? Em nenhum momento em consegui deixar Deus agir, tomar as rédeas da situação. Eu estava preocupada, por que como EU ia dar aula? Como eu ia resolver o problema? Naquele momento havia esquecido que foi Ele quem me chamou, que é por ele e para ele que trabalho, vivo, respiro todos os dias. Por que trabalho na Escola Bíblia há quase 10 anos? Em nome de quem faço tudo isso? Puxa vida, se faço no nome dele, como posso achar que sou eu quem deve resolver tudo? Que tudo esta sobre MEU controle?

A questão é que isso é só um pequeno exemplo da minha vergonha, do fato de tentar resolver tudo sozinha, de achar que se eu não fizer nada, ninguém fará por mim. Sei que isso é um traço da minha personalidade. Sempre fui atrás das coisas: empregos, estudos, oportunidades, etc. Obviamente reconheço o Senhor em tudo isso, mas para mim é difícil não fazer nada, deixar Ele agir. Por que? Porque no fundo duvido, no fundo não creio. Lembro de uma vez que eu estava indo ao retiro de Carnaval preocupada com o futuro. Meu contrato de trabalho estava acabando, eu não estava conseguindo guardar dinheiro e eu não tinha nada certo para o futuro. Deus me disse bem claro, no meu coração, dentro do trem: Quem te sustentou até hoje? Quem te deu tudo o que tens? Sou eu e eu sempre cuidarei de você. Eu, ali no trem, me desmanchei em lágrimas. Sei que é um processo imenso deixar Deus guiar, tomar as decisões, te direcionar, mesmo que pareça que no final do caminho há um buraco, mas é preciso confiar que se há uma valeta, Deus faz a ponte para você passar.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dores e Dores (Ricardo Gondim)




Algumas dores são localizadas. Outras se disseminam; tudo dói. Explico melhor. Algumas feridas só machucam no local; uma queimadura, um espinho, uma contusão, indicam exatamente o lugar e o tipo de dor. Mas há sofrimentos que se alastram de tal maneira que se perde inclusive a origem da ferida. Basta apertar onde foi machucado e sensações desagradáveis se espalham como ondas. A dor fica sistêmica. Mas isso vale não só para o físico. Há feridas da alma que são septicêmicas.

As feridas narcísicas, por exemplo, não machucam apenas em um determinado ponto. Elas se transformam em agonias integrais. Feridas narcísicas são as que vêem da infância ou quando o esforço de firmar a identidade foi frustrado. E sempre que alguém toca nessas ulcerações da alma, tudo sofre.

Por isso, sejamos sempre cuidadosos com os juízos. Podemos lacerar uma pessoa por inteiro. Os juízos são sempre temerários. Quanto menos conhecemos uma pessoa, mais rápidas as sentenças. Caso tivéssemos acesso aos dilemas mais íntimos, às disfuncionalidades familiares mais antigas, talvez usássemos de mais misericórdia quando condenamos.

O rei Davi optou ser julgado por Deus e não pelos homens porque sabia que Deus conhece os porões subjetivos do espírito, as hesitações da alma e os medos do coração. E os homens concluem com vereditos precipitados; com análises superficiais.

Zidane, o jogador de futebol francês, perdeu a distinção porque um adversário fez algum comentário danoso sobre sua mãe e irmã. Cutucado na ferida narcísica, todo o homem reagiu. Cristo advertiu àqueles que desprezam essas sensibilidades e partem para chamar o próximo de “raca”, que significa louco. Eles são dignos do inferno.

Já constatei o estrago que uma palavra mal dada produz, pois tratei de pessoas destruídas pela dor narcísica. Não existem xingamentos ingênuos, tudo o que se fala não produzi efeitos momentâneos, mas consequências boas ou arrasadoras na autoestima de alguém. Em minha breve existência, cuidei de mulheres destruídas por comentários levianos. Conheci homens boicotados de se tornarem tudo o que podiam porque alguém, que conhecia suas feridas narcísicas, alfinetaram onde mais doía. Para destruir uma pessoa, basta lembrar malfeitos, vergonhas públicas, deficiências físicas, inadequações familiares. A música interpretada por Ana Carolina carrega uma sensibilidade especial. Ela fala de um “vendedor de flores que ensina seus filhos a escolher seus amores”. Quanta ternura! O mundo seria diferente se lidássemos com o próximo com a delicadeza de quem mexe com pétalas de rosa.

Educação, finesse e sensibilidade não vêem de berço. São construções que demoram às vezes a vida toda. Nesta geração individualista, em que as pessoas mal se preocupam com a felicidade alheia, já faltam espaços para cuidar de tantos que pedem ajuda para dores que nem eles mesmos conseguem expressar.

Zelemos com um guarda nos lábios para que nossas palavras produzam vida, nunca morte.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Deus me supreende!

Você esta pensando em ago, sentindo algo e acha que é seu, não é de Deus.. aí vc assiste algo que confirma o que estava em seu coração e vc diz: Sim, foi o Senhor! Ele está falando comigo!
Sobre o sofrimento:http://www.youtube.com/watch?v=ZnH97YDdPB8

Convivendo com a tristeza (1)

  • No mundo e na igreja somos, várias vezes, incentivados, a viver uma vida de alegria transbordante e de felicidade constante. No entanto, isso é muito hipócrita da nossa parte,j á que é impossível vivermos a vida sem tristezas, sem momentos de profunda melancolia. No nosso mundo secular a alegria é como se fosse uma imposição. Os sorrisos estão nas propagandas, nos orkuts, nas páginas de relacionamento. Ninguém tem coragem de expressar um rosto triste ou inconsolável. Amamos a alegria, os dias de sol, como se toda aquela euforia nos fizesse esquecer do nosso vazio interior e dos problemas da nossa alma. Na praia as pessoas vivem aparentemente em completa alegria, sem tristezas ou amarguras.
    Bem, se não bastasse isso, na igreja somos incentivados a viver em completa alegria sempre. Obviamente lembro o versículo que Paulo diz "a alegria do Senhor é a minha força". Eu creio nisso verdadeiramente, até porque já vivi isso, mesmo em momentos de dificuldade. No entanto, mentimos para nós mesmos quando não encaramos com seriedade a possibilidade de termos, sim, mesmo sendo convertidos e amando o Senhor verdadeiramente, momentos de tristeza. A vida é difícil, o mundo é injusto, dezenas de pessoas padecem nos hospitais, em guerras injustas milhares morrem sem direitos, sem que ninguém se lembre deles ou tenha deles misericórdia. Jesus chorou após seu amigo Lázaro morreu e deve ter chorado em outros momentos, com certeza, pelo sofrimento que via a sua volta. Aliás, coisas que ninguém via, pois não eram reveladas.
  • No entanto, somos incentivados a buscar bênçãos, as mãos do Senhor, suas dádivas, não seu coração, sua dor, sua tristeza pelo que sofre, pelo que padece. Parece estranho, muitas vezes, que o cristão se encontre em aflição, triste, porque queremos o evangelho como uma aspirina, como um calmante para nossas dores, mas não como cruz. E ninguém vai para a cruz sorrindo. Eu estava me analisando esses dias e percebi que os momentos que mais andei com Deus foram os tempos mais felizes, mas ao mesmo tempo mais tristes da minha vida. Bem, porque ao mesmo tempo em que Deus me renovava e eu sentia seu amor “saltando” em mim, eu me tornava sensível às coisas a minha volta e a incrível comodidade com que os cristãos continuam vivendo suas vidas, mesmo sabendo que ao lado delas pessoas vão para o inferno. Eu sou isenta disso? Claro que não! Vivo e busco meus próprios interesses, mesmo tendo ao meu redor pessoas que padecem sem Deus.