terça-feira, 24 de agosto de 2010

Podridões




Estou há mais de uma semana sem ir à faculdade e ver meus colegas. Muitos deles estão viajando e eu, por alguns motivos, decidi que não ia viajar neste semestre. Bem, estranhamente estou com uma sensação semelhante a que sinto nas férias de julho e de janeiro. Não tenho a mínima vontade de voltar, de ter aula e trabalhar novamente. Quero ficar em casa, estudando trabalhando, mas tendo a minha comunhão com Deus, sem nada que me impeça ou me incomode. É óbvio que sei que esse não é o querer de Deus e eu devo sair, testemunhar e não me calar. A questão é que quando volto aos “contatos normais” sinto como se algo mudasse por mais que não mude efetivamente. Eu não deixo de amar a Deus, não deixo de servi-lo, mas, indiretamente, sou contaminada e, por vezes, perco a visão.


Quantas vezes me vi correndo exatamente como os que não conhecem a Deus? Quantas vezes pensei que era quem tinha que fazer, lutar e prevalecer? Quantas vezes desejei com meu coração a glória e os louvores do mundo¿ Quantas vezes quis ser aplaudida, admirada, aceita entre meus pares e honrada? Sim, sou contaminada. Percebo que busco coisas que não são o reino do céus e que luto por coisas que não são, de forma alguma, eternas. Além disso, por vezes deixei o Diabo fazer com que eu me sentisse ridícula por acreditar em santidade e pureza, coisas que no nosso mundo são absurdas.


Contudo, por outro lado, já dizia Jesus que o que contamina não é o que está fora, mas o que está dentro. Essas coisas não existem fora de mim, elas habitam no meu coração. Lá estão o orgulho, a inveja, a cobiça, o desejo de ser lembrado, apreciado, amado e querido. O que faço com tudo isso? Escondo? De forma alguma! Como posso esconder algo do que conhece todas as coisas? A podridão do meu ser fede dia após dia diante de mim...e quando acho que posso ter melhorado.. é engano, continua fedorento tudo aqui dentro. No fundo tudo o que surge nestes momentos é o que está dentro do meu coração e não surge antes porque não tem oportunidade. Mas assim que tem, ali está toda sujeira. No entanto, é preciso não desistir, continuar... o caminho da morte está logo à frente.


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