
- No mundo e na igreja somos, várias vezes, incentivados, a viver uma vida de alegria transbordante e de felicidade constante. No entanto, isso é muito hipócrita da nossa parte,j á que é impossível vivermos a vida sem tristezas, sem momentos de profunda melancolia. No nosso mundo secular a alegria é como se fosse uma imposição. Os sorrisos estão nas propagandas, nos orkuts, nas páginas de relacionamento. Ninguém tem coragem de expressar um rosto triste ou inconsolável. Amamos a alegria, os dias de sol, como se toda aquela euforia nos fizesse esquecer do nosso vazio interior e dos problemas da nossa alma. Na praia as pessoas vivem aparentemente em completa alegria, sem tristezas ou amarguras.
Bem, se não bastasse isso, na igreja somos incentivados a viver em completa alegria sempre. Obviamente lembro o versículo que Paulo diz "a alegria do Senhor é a minha força". Eu creio nisso verdadeiramente, até porque já vivi isso, mesmo em momentos de dificuldade. No entanto, mentimos para nós mesmos quando não encaramos com seriedade a possibilidade de termos, sim, mesmo sendo convertidos e amando o Senhor verdadeiramente, momentos de tristeza. A vida é difícil, o mundo é injusto, dezenas de pessoas padecem nos hospitais, em guerras injustas milhares morrem sem direitos, sem que ninguém se lembre deles ou tenha deles misericórdia. Jesus chorou após seu amigo Lázaro morreu e deve ter chorado em outros momentos, com certeza, pelo sofrimento que via a sua volta. Aliás, coisas que ninguém via, pois não eram reveladas. - No entanto, somos incentivados a buscar bênçãos, as mãos do Senhor, suas dádivas, não seu coração, sua dor, sua tristeza pelo que sofre, pelo que padece. Parece estranho, muitas vezes, que o cristão se encontre em aflição, triste, porque queremos o evangelho como uma aspirina, como um calmante para nossas dores, mas não como cruz. E ninguém vai para a cruz sorrindo. Eu estava me analisando esses dias e percebi que os momentos que mais andei com Deus foram os tempos mais felizes, mas ao mesmo tempo mais tristes da minha vida. Bem, porque ao mesmo tempo em que Deus me renovava e eu sentia seu amor “saltando” em mim, eu me tornava sensível às coisas a minha volta e a incrível comodidade com que os cristãos continuam vivendo suas vidas, mesmo sabendo que ao lado delas pessoas vão para o inferno. Eu sou isenta disso? Claro que não! Vivo e busco meus próprios interesses, mesmo tendo ao meu redor pessoas que padecem sem Deus.
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